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O velho sonho de trabalhar em casa virou castigo?

Foto: Pixabay
"Quem me dera trabalhar de casa..." Será?

Publicado em 06/04/2020

Lembro muito bem dos amigos reclamando na agência que trabalhar sem horário para sair era escravidão, que comer besteira todo dia – pizzas, sanduíches e coxinhas e outras cositas mais era um veneno, que beber todo dia era tóxico…

Que o bom mesmo seria trabalhar em casa, fazer tudo com tempo e hora de sobra, comer coisas saudáveis e um cervejinha, no máximo, é que seria um sonho.

Mas em tempo de ráf, letra sete, tudo feito à mão e na máquina de escrever, seria impensável… aí, vieram os computadores.

Se, por um lado, embotaram diretores de arte que passaram a buscar imagens prontas (as tais referências que viraram a imagem definitiva, paga. Ai, adeus fotógrafo.), por outro, salvaram (ou ferraram) redatores com corretivos que evitavam o revisor, figura que sumiu das agências.

Entretanto… ter o computador e levar disquetes permitiam… trabalhar em casa. Só que não.

Ainda assim, ninguém foi pra casa trabalhar.

Ou porque as Agências não permitiram, ou porque, podendo ir, as máscaras caíram e todo mundo descobriu que as reclamações eram desculpas esfarrapadas “para inglês ver” (ouvir, né.) o que diziam. Na verdade, todos adoravam “morar na agência” e comer e beber nelas, nas madrugadas sem fim. Quem lembra? Tá vei, hein.

O tempo passou e a expressão “home office” surgiu, anglicana, (inglês viu e ouviu.) como a dizer algo nunca dito antes.

Nossa velha mania acultural de adorar tudo que está em inglês, ampliou o sentido do não entendido.

Estudos comprovaram a eficiência da medida num mundo bem diferente do de outrora, e sem Cubo Mágico.

O “home office”, além de permitir estar em casa e organizar horário, permite economia, alimentação boa, relação com a família e…

Esvazia ruas nos horários de rush, é sustentável, gera espaços na empresa para atividades que só podem acontecer nela, é um processo natural de avaliação profissional de produtividade e responsabilidade.

Várias empresas, especialmente de tecnologia, já adotam há algum tempo o “home office” com excelentes resultados, como, por exemplo, a Unisys, Philips, Ticket etc.

Aí, vieram os tempos terríveis de Corona e, de carona, o “home” é adotado como opção de “isolamento”.

Opa!, como assim?

E os filhos, o au au, o miau, o aspirador de pó, o quarto lotado. Só o vovô tá trancado?

A solução temporária, compulsória, vai se transformar em definitiva para muitos.

E, espero, que todos empregados, porque é certo que muitos terão que trabalhar “home” como empreendedores no novo mundo que surgirá depois de tudo isso.

Precisaremos viver no novo mundo phygital (babaquice para se dizer figital = físico +digital), do evento híbrido e da “humanotologia digital” (essa última uma ideia minha), mas isso é papo de um outro artigo, quem sabe.

Por ora, deixa em ir correndo na cozinha que o Miojo tá queimando.

Autor(a)

Tony Coelho

Tony Coelho

Palestrante, Consultor, Criativo, Professo, Conselheiro da Ampro e Home Officer convicto

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