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A IA vai substituir o recrutador? O impacto da tecnologia nas contratações

Recrutadores passam a combinar análise humana com ferramentas automatizadas nas etapas de seleção. Imagem de yanalya no Freepik
Ferramentas automatizadas ganham espaço no RH, aceleram processos seletivos e redefinem o papel do recrutador dentro das organizações.

Publicado em 12 de fevereiro de 2026

A inteligência artificial (IA) já integra a rotina dos processos de recrutamento e seleção no Brasil. Atividades como triagem de currículos, avaliação de perfis, aplicação de testes comportamentais e etapas iniciais de entrevistas passaram a ser automatizadas como forma de ampliar escala, reduzir o tempo das contratações e organizar informações.

Ainda assim, a expansão dessas ferramentas continua cercada por dúvidas e interpretações equivocadas dentro das áreas de Recursos Humanos.

A discussão não se restringe ao RH. Executivos de diferentes setores têm apontado que a tecnologia deve alterar a dinâmica do trabalho como um todo, atingindo desde atividades operacionais até funções estratégicas. No recrutamento, porém, o impacto é mais imediato: contratar pessoas sempre foi um processo intensivo em tempo, análise e interação humana, justamente os pontos que as empresas buscam tornar mais eficientes.

Como a IA passou a integrar o recrutamento

No recrutamento, a IA é aplicada por meio de algoritmos capazes de processar grandes volumes de dados para apoiar a tomada de decisão ao longo da seleção. Uma das utilizações mais comuns aparece já nas etapas iniciais: a triagem automática de currículos. A tecnologia cruza informações do perfil dos candidatos com os requisitos da vaga, identifica padrões de compatibilidade e prioriza profissionais com maior aderência ao que a empresa busca.

Essas plataformas também utilizam técnicas de aprendizado para aprimorar a análise ao longo do tempo, ajustando critérios conforme decisões anteriores dos recrutadores. Outra frente recorrente são os chatbots de recrutamento, que mantêm contato direto com os candidatos, esclarecem dúvidas, informam sobre o andamento das etapas e ajudam a organizar o fluxo de comunicação durante o processo seletivo.

A adoção da tecnologia não ocorre apenas por tendência, mas por necessidade operacional. O aumento do número de candidaturas por vaga e a pressão por agilidade nas contratações fizeram com que empresas buscassem soluções capazes de organizar informações e reduzir etapas manuais. Com isso, o recrutamento passa a combinar análise automatizada e avaliação humana em diferentes momentos da seleção.

Essa lógica faz com que o processo seletivo se torne mais estruturado e baseado em critérios previamente definidos. Ferramentas de avaliação automatizada conseguem identificar padrões de qualificação e ranquear perfis, enquanto a análise humana se concentra nas entrevistas, no alinhamento com a área contratante e na verificação de compatibilidade cultural. A tecnologia passa, portanto, a atuar como filtro inicial, enquanto a decisão final permanece sob responsabilidade do recrutador.

Benefícios do uso de IA no recrutamento

  • Processos mais rápidos
    A análise inicial de candidatos deixa de ser manual e passa a ocorrer em grande escala, encurtando o tempo entre a abertura da vaga e a contratação.
  • Participação mais clara para o candidato
    A comunicação contínua e o acompanhamento das etapas tornam o processo mais transparente, evitando incertezas e desistências ao longo da seleção.
  • Melhor aproveitamento da equipe de RH
    Ao delegar tarefas operacionais à tecnologia, os profissionais podem dedicar mais atenção às entrevistas, ao alinhamento com lideranças e à avaliação qualitativa.
  • Escolhas mais consistentes
    O cruzamento estruturado de informações ajuda a identificar perfis compatíveis com a vaga.
  • Avaliação mais equilibrada
    Com critérios previamente definidos, a análise tende a diminuir interferências subjetivas e favorece processos seletivos mais inclusivos.

Mitos que ainda cercam a inteligência artificial no recrutamento

Automação avança nos processos seletivos, mas a decisão final ainda depende da avaliação humana.
Imagem de rawpixel.com no Freepik

Mesmo com a adoção crescente das ferramentas digitais nos processos seletivos, a aplicação da inteligência artificial ainda provoca resistência em parte dos profissionais de RH. Grande parte dessa reação está associada a percepções equivocadas sobre o papel da tecnologia dentro da seleção de talentos.

  • “A IA vai tirar o lugar do recrutador”
     O temor mais comum é o de substituição do profissional humano. Na prática, a tecnologia funciona como apoio operacional: automatiza tarefas repetitivas e organiza grandes volumes de dados, enquanto a avaliação qualitativa, a negociação e a construção de vínculo com o candidato permanecem dependentes da atuação do recrutador.

  • “Algoritmo só aumenta o viés”
     Embora ferramentas possam reproduzir padrões presentes nas bases de dados, as plataformas atuais permitem monitoramento e ajustes constantes, justamente para reduzir distorções e estruturar melhor as análises.

  • “Isso é coisa para empresa grande”
     A tecnologia deixou de ser exclusiva de grandes corporações. A disseminação de plataformas de recrutamento e soluções integradas tornou o uso viável também para organizações de menor porte.

O papel do recrutador na era dos algoritmos

Diante desse cenário, a discussão deixa de ser se a IA substituirá o recrutador e passa a ser como o profissional irá atuar ao lado da tecnologia. Ao assumir tarefas operacionais, a IA amplia a importância das competências humanas dentro do processo seletivo.

Cabe ao recrutador interpretar contextos, avaliar aderência cultural, compreender expectativas da liderança e conduzir a relação com o candidato, etapas que dependem de escuta, negociação e leitura de comportamento. A tecnologia identifica padrões e aponta probabilidades; a decisão, porém, continua vinculada à análise humana e à estratégia da organização.

Assim, a inteligência artificial não elimina a função do RH, mas redefine suas prioridades. O recrutador deixa de ser apenas executor de etapas administrativas para assumir um papel mais consultivo, conectado ao planejamento de pessoas e aos objetivos do negócio. Em vez de substituir o profissional, a IA tende a reposicioná-lo como mediador entre dados, cultura organizacional e experiência do colaborador.

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Esse artigo teve a colaboração de Mariana Souza, auxiliar de comunicação do Grupo EBS.

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