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Cancelamentos de eventos podem deixar 3 milhões sem trabalho

Foto: Harut Movsisyan /Pixabay
Insegurança sobre a retomada das atividades e nova onda de demissões pode afetar brutalmente o setor, aponta novo estudo da ABRAPE

Publicado em 20/05/2020

O avanço no número de demissões, o crescimento exponencial dos prejuízos financeiros e a estagnação total das atividades, em virtude da pandemia de coronavírus (COVID-19), devem afetar ainda mais o setor de cultura e entretenimento nos próximos meses.

O cancelamento de eventos em todo País pode deixar mais de 3 milhões sem trabalho. A perda média por empresa já chega a 1,16 milhão. Os números, que constam da segunda pesquisa elaborada pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos – ABRAPE, entidade que representa produtoras e promotoras no País, traz previsões preocupantes.

Até o início da crise, o setor empregava em torno de 1,8 milhão de profissionais diretos e terceirizados. O estudo revela que, com o cancelamento e adiamento de eventos mais de 240 mil profissionais já perderam os empregos até o final de abril.

Sendo que a tendência é que este número cresça para 563 mil demissões até agosto, e podendo chegar, em outubro, a 841 mil desempregados, caso não haja segurança nas variáveis que definirão o retorno das atividade.

“É um dado que assusta, mas é muito realista. Se ficarmos estagnados até outubro, mais da metade das ocupações formais deixarão de existir”, relata o presidente da ABRAPE, Doreni Caramori.

A informalidade também sofre os impactos

5 milhões de indiretos e freelancers sem registro em carteira atuando no setor. “São trabalhadores que têm nos eventos a oportunidade de gerar renda, vendendo produtos como lanches e bebidas em entrada de shows, por exemplo. Pelo menos 670 mil já estão vulneráveis. Em agosto, o número pode subir para 1,5 milhão e, em outubro, atingir 2,3 milhões. Entre formais e informais, 3 milhões podem ficar sem renda”, frisa.

Prejuízos – Responsável por 4,32% do PIB nacional, a cadeia produtiva de eventos é um universo de aproximadamente 60 mil empresas.

Em abril, a ABRAPE já estimava que esses negócios poderiam atingir perdas substanciais. Mas os números podem ser ainda maiores.

“A nova rodada de pesquisa, realizada com a nossa base de associadas, mostra que o prejuízo médio por empresa acumulado até o final de abril foi de 1,16 milhão, e que as perdas até agosto devem aumentar 88,7%, chegando na casa dos R$ 2,205 milhões”, relata o empresário líder da entidade. Se necessária a continuidade das políticas de isolamento, até outubro o rombo no caixa de cada empresa pode estar em torno de R$ 3,116 milhões. Esse aumento de 2,5 vezes o atual prejuízo é ainda mais preocupante por revelar que a cada semana o prejuízo aumenta quase 8%”.

O novo estudo da ABRAPE revela, ainda, a curva crescente dos adiamentos e cancelamentos e seus desdobramentos se a atual conjuntura for mantida. Até agosto, 52% dos cerca de 590 mil eventos programados para 2020, segundo a entidade, estarão cancelados.

“A informação mais dura pra gente é prever que, até outubro, dois terços de tudo que foi programado poderá ser rescindido, ou seja, mais de 454 mil eventos podem não acontecer”, explica Doreni.

Créditos e sustentabilidade

Desde o início da pandemia, promotoras e produtores vêm lidando diariamente com o custo da paralisação e da incerteza de quando e como irão retornar à normalidade, o que para Doreni, é bastante preocupante.

“Estamos verdadeiramente apreensivos quanto à sobrevivência das empresas. E trabalhando arduamente para minimizar obstáculos e ajudá-las em diversas frentes. A preocupação aumenta considerando a importância do setor enquanto âncora de uma cadeia econômica. Se o produtor de eventos não sobreviver, morre também uma grande rede de fornecedores e informais que têm renda ligada a nossa atividade”, ressalta.

A ABRAPE tem discutido medidas com entidades do setor e órgãos do Governo Federal. Houve avanços como a normatização das regras para o tratamento de eventos cancelados e para a administração de questões trabalhistas. Mas as tratativas com Ministério da Economia e Ministério do Turismo seguem.

“Nosso foco agora é buscar a solução no acesso às linhas de crédito emergenciais para concessão de capital de giro, com carências, prazo dilatado e condições subsidiadas”, finaliza Doreni.

Sobre a ABRAPE

A Associação Brasileira dos Promotores de Eventos – ABRAPE, é uma entidade nacional fundada em Brasília em 1992 que, fundamentada nos princípios sociais de cooperação, integração e ética, tem por objetivo representar as empresas produtoras e promotoras de eventos culturais e de entretenimento no Brasil, preservar seus interesses e direitos, e promover o desenvolvimento e a valorização do setor que é hoje um dos maiores expoentes nacionais na oferta de empregos diretos e indiretos, e na geração de renda, movimentando bilhões de reais anualmente.

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