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Por que a retomada ainda não decolou?

Foto: Freepik
Uma reflexão de PO sobre o cenário atual do MICE no Brasil

Publicado em 21/09/2021 – autor: Paulo Octavio Pereira de Almeida – PO

Eventos são encontros de comunidades. Serão híbridos/virtuais com certeza.

Este “hibridismo” vai oferecer possibilidades de expansão das audiências e não será um substituto aos eventos presenciais. Será um complemento tecnológico muito útil.

Hoje vou fazer uma outra reflexão fundamental neste momento de retomada do setor.

Até recentemente, estávamos reclamando que NÃO existia vacina contra Covid-19.

Quando foi realizada a 1ª edição da Expo Retomada em outubro de 2020 no SP Expo não existia a menor previsão de quando este processo de vacinação iria começar. 

Mas obedecendo os protocolos, e, principalmente, mantendo distanciamento todos os 2.000 organizadores de eventos que estiveram presentes presencialmente se sentiram seguros. 

Existia luz no final do túnel e logo as atividades do setor estariam de volta. Seria um ótimo 2021! Ledo engano. 

A segunda onda estava por começar devido aos egos e as posições de alguns. Uma pena e uma grande desgraça para muitos. Porém, a luz no final do túnel se parecia ainda distante podia ser vista, pois as vacinas existiam e estavam sendo aplicadas, recentemente foi organizada outra edição da Expo Retomada, desta vez, em Santos. 

Era uma questão de tempo para que a vacinação avançasse e atingisse a grande maioria. Este tempo chegou! Em vários municípios do país já foi atingido o índice de 100% da população vacinada com pelo menos a 1ª dose! Um grande avanço (com certeza atrasado). 

Daqui a pouco o túnel termina!

Finalmente. 

Agora fica a pergunta: Por que os eventos ainda não retornaram na mesma proporção?

Fazendo uma análise eu chego às seguintes suposições e gostaria de dividi-las aqui:

1) Legislação: Diferente do ano de 2020, quando existiam decretos proibindo a realização de eventos (com toda razão), desde 23 de julho existem vários decretos estaduais e municipais (no caso da cidade de São Paulo), dando condições para os eventos com foco na geração de negócios (eventos B2B – sem a venda de ingressos) acontecerem desde que respeitem os protocolos sanitários. 

Poder público (os 3 níveis) demoraram para entender as diferenças entres eventos B2B e B2C (com venda de ingressos), mas hoje, praticamente, não existem mais entraves administrativos para se organizar um evento B2B. Não é um problema de legislação!

2) Aspectos internos do setor eventos: Por mais que as empresas de eventos tenham sofrido (e continuam sofrendo) e perdido profissionais (intencionalmente ou não), não percebo fatores internos que impeçam as empresas de voltarem a organizar eventos de novo. Muito pelo contrário. Ouço e vejo vários players reclamando que querem voltar a trabalhar.

3) Aspectos externos ao setor: Economia mostra sinais divergentes. Aumento da inflação anual (impacto do aumento do consumo?). Aumento de alguns insumos (impacto da utilização destes insumos por outros setores ex: construção civil). Mais, altos índices de desemprego e baixas taxas de crescimento. Aqui podemos notar ações que estejam talvez influenciando esta dinâmica ainda negativa do setor de eventos. Sinal de fumaça…

4) Aspectos psicológicos: Depois de um período muito longo expostos a notícias ruins e restrições, acredito estarmos sendo ainda influenciados por este “efeito halo nebuloso”. A pandemia vai acabar, mas não acabou ainda. Dissonante né? Efeito “manada” aqui me parece o mais explicável. Enquanto “ele” não tomar a decisão “eu” não tomo também. Ruim!

5) Aspectos organizacionais: A pandemia nos aproximou muito do conceito da morte. As pessoas e as empresas estão sofrendo impactos desta sensação. Paralisia e fuga das decisões são sintomas desta situação, na minha opinião. Os ciclos econômicos do Schumpeter estão mais vivos do que nunca. Mas depois da crise vem a recuperação. A tal da retomada.                

Mas ela começa quando? Já começou? Não começou ainda? Um momento de reflexão…

Se não temos impedimentos administrativos aparentes (legislação) e os fatores entrópicos ao setor de eventos podem mostrar impedimentos temporários (falta de mão de obra e aumento de custos de alguns insumos) ou seja, um sinal de fumaça, eu acho que os principais aspectos que estão impedindo a real retomada do setor de eventos B2B são os fatores psicológicos de uma “manada estática pós-crise” e fatores organizacionais de como alterar a “lógica dominante que o compliance não deixa”. 

A pandemia impôs desafios enormes aos Seres humanos, aos governos e as empresas. Mas não mudou o DNA dos seres sociais, como disse Aristóteles há alguns séculos. 

Eventos B2B são instrumentos de colaboração e indução econômica. Provavelmente parte da solução e não parte do problema. Mas agora enfrentam obstáculos como nunca enfrentados. Não é falta de empatia. É falta de coragem! 

Para deixar bem claro: #somosgregários #eventospresenciaisforever, #colaboraçãoéanossapraia, #futurohibridovirtual #eventosaoseguros #futuroseguro.

Afinal, o live marketing não é para os fracos!

Sobre o autor:

Paulo Octavio Pereira de Almeida, o P.O

Com mais de 30 anos de experiência em Marketing e Vendas se especializou na área de eventos B2B e B2C com foco em estratégia e desenvolvimento de novos negócios para empresas já estabelecidas ou para Start Ups. Atua como consultor e como membro de conselhos de administração.

 

Esse artigo foi publicado originalmente no site Promoview.

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