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Liderança na Era Exponencial

Gestores sentem na pele a pressão por novas iniciativas organizacionais

As três Revoluções Industriais pelas quais passamos nos trouxeram ao momento histórico, social e tecnológico presente. O período pós-moderno, marcado pela fugacidade das informações e relações vem chegando a outro nível que alguns especialistas chamam de Era Exponencial.

Imersos em um cenário completamente novo, visceral e disruptivo, quem anda está parado e quem está parado, na verdade, anda para trás. A competitividade individual e corporativa suplica aos profissionais que se transformem, inovem e se modernizem no mesmo ritmo das informações que chegam ao nosso conhecimento. É tempo de acelerar as engrenagens da educação empresarial, estourar a bolha do lucro egoísta e conduzir novas ideias globais.

Contexto

Antes de falarmos sobre o importante papel dos líderes dentro desse ambiente pouco explorado, precisamos introduzir as empresas no contexto exponencial que se expande diariamente em todos os lugares do mundo. É crucial entender o momento em que estamos inseridos afim de saber como e para onde vamos.

Beia Carvalho/Divulgação

A palestrante, futurista e presidente da Five Years From Now, Beia Carvalho, define o momento como uma “época de saltos”. “Uma imagem fácil para um assunto tão complexo é imaginar um mundo em que as mudanças não mais acontecem de forma vagarosa, degrau por degrau, linearmente. Agora as mudanças são por saltos. Um dia você foi dormir e não existia smartphone”, conta. “As mudanças exponenciais nos obrigam a um eterno aprendizado e vigilância. A ideia de que o estudo é uma coisa finita, “terminei a faculdade, o mestrado, o doutorado”, hashtag #prontoacabei, ficou no século passado. Nunca mais poderemos prescindir de estudar. O que não significa frequentar a faculdade, mas sim estar aprendendo. Sempre. As mudanças lineares, passo a passo, ficaram no século XX”.

Novos produtos, empresas com novas soluções que desafiam as estruturas conhecidas pipocam diante de nossos olhos em frações de segundos. Marcas e companhias que conseguem se adequar a esse novo modelo são as que atingirão êxito no futuro.

“Hoje exponencial significa produzir 10 vezes mais com o mesmo recurso ou com a metade dos recursos. Essa Era que é bem marcada pela 4ª Revolução Industrial é diferente de todas as outras e tem formatos nunca antes vistos. Ela se caracteriza pelo que no Futurismo nós chamamos de megatendências”, pontua Jaqueline Weigel, futurista, humanista, facilitadora de educação corporativa e CEO da W Futurismo e W Future School.

Jaqueline Weigel/Divulgação

“Muita gente acha que a Era Exponencial é caracterizada apenas pela tecnologia, mas eu acho que isso é uma visão bem limitada. A gente sempre precisa olhar o que está acontecendo no planeta no aspecto social, ambiental, político, econômico e tecnológico para que possamos compreender as mudanças e então sociedades e negócios possam se adaptar”, diz Weigel.

Empresas exponenciais

Atender às demandas do consumidor 3.0 (informado, engajado, crítico e exigente), oferecer soluções sustentáveis, gerar lucro consciente, adaptar modelos de gestão e reter os melhores talentos, essas são algumas das características das empresas da Nova Era. Dar mais valor ao imaterial é o grande segredo do sucesso dessas companhias.

Edson Moreira/Divulgação

“Uma empresa exponencial explora o poder de distribuição, utiliza recursos digitais onde é possível manter o custo e multiplicar o faturamento, em alguns casos a curva de aumento de custos fica muito abaixo da curva de faturamento, mas existem modelos de negócio na Era Exponencial onde é possível manter o custo estático e faturar alto”, afirma Edson Moreira, CEO & Founder da TurboMKT, plataforma de negócios online. Uma empresa para se tornar exponencial, talvez tenha que repensar o próprio modelo de negócios, pois o crescimento no modelo tradicional, onde os custos sobem proporcionalmente com o faturamento, está fadado ao fracasso”.

Inovação e ruptura são os termos chave para o processo de transformação acontecer. A mudança necessária para nadar a favor da correnteza em tempos exponenciais precisa ser norteada pela superação de eficiências como estratégia e adaptabilidade. E tudo isso, só será possível se o pontapé inicial partir da gestão.

Líderes exponenciais

O novo cenário exige uma postura mais aberta e flexível de seus integrantes. Quebra de padrões de atitudes, pensamentos e estratégias são bons inícios para promover a transformação de uma empresa linear.

Os líderes exponenciais são os novos personagens desse panorama. Conectados com os problemas do planeta, compassivos com seus colaboradores e engajados socialmente, o executivo de sucesso coloca sua empresa a serviço da comunidade e procura reduzir os impactos da mesma no meio ambiente.

Amauri Gennari/Divulgação

Os chamados profissionais de alta gerência de nível C (CEO, CMO, CFO, etc), já estão enfrentando a pressão da competitividade e sentindo a necessidade de mudar tanto a cultura das companhias quanto o próprio comportamento. “Para que um profissional se torne exponencial primeiramente é necessário que ele seja flexível e aprenda a se adaptar às novas tecnologias e aos novos modelos de negócios. É importante ter em mente que esses profissionais precisam desenvolver suas habilidades pessoais, aprendam a lidar com situações inesperadas e adversas, além de saberem lidar com a pressão do mercado. Para as empresas não é diferente, as estratégias estão baseadas principalmente na gestão de pessoas. Por essa razão é importante que as lideranças sejam visionárias, otimistas e realistas”, aponta Amauri Gennari, diretor comercial do Gimba, empresa de gestão de suprimentos para o setor B2B e B2C.

“Atualmente vivemos um momento de incertezas e instabilidades, principalmente no cenário econômico, por isso, um dos maiores desafios é se manter flexível e adaptável às diversas adversidades do mundo corporativo. Com a Era Exponencial esse desafio se amplifica ainda mais, pois tudo acontece muito rápido e de maneira intensa, dessa forma o maior desafio é moldar-se conforme o mercado”, explica Gennari.

“Não existem medidas certas ou uma lista. Acho que os profissionais das empresas têm caminhos similares com focos diferentes. As empresas precisam olhar pra fora pra entender o que a sociedade quer, o que os novos modelos de negócios estão trazendo e por que estão fazendo tanto sucesso. Qual é a linguagem digital, como funcionam essas novas fórmulas e é muito importante que ninguém siga um culto a uma única fonte ou um único ecossistema”, diz Weigel.

Ter um propósito, habilidades emocionais e acelerar o crescimento da companhia através de inovações tecnológicas são as bases da liderança 4.0. Mesmo com tantas informações disponíveis, muitos gestores ainda encontram dificuldades em se desapegar de modelos corporativos obsoletos que permeiam grandes e pequenas empresas.

“Os líderes de hoje ainda se encontram, em sua maioria, nas gerações mais velhas, entre 40 anos (geração X) e acima dos 50 e poucos anos (baby boomers e tradicionalistas). Eles nasceram, cresceram e entraram no mercado de trabalho no século passado. Alguns deles, fizeram fortunas e/ou sucesso num mundo de mudanças lineares. É muito difícil que alguém nesta posição esteja disposto a aprender as novas habilidades do século XXI e muito menos ter que aprender com os “pirralhos” da geração Y”, afirma Beia Carvalho. “Dar ouvidos aos jovens que eles consideram, por preconceito, “perdidos” e “sem foco”. Portanto, a primeira coisa a fazer é se esforçar para entender que mudamos de era”.

Educação corporativa

Promover a mudança internamente nas empresas é fundamental para obter êxito nas propostas. Partindo desse princípio, o papel da educação corporativa assume protagonismo e precisa ser adotado por todos os envolvidos. “A educação corporativa faz toda diferença na Era Exponencial, isso porque através dela é possível desenvolver práticas, metodologias e técnicas que promovam resultados duradouros na transformação das pessoas. Além disso, quando temos profissionais capacitados com habilidades corporativas, é possível estabelecer não somente uma empresa exponencial, mas pessoas exponenciais”, conta Gennari.

Eventos

O mercado de eventos, como todos os outros, também sofrerá seus impactos específicos. Os profissionais da área, já acostumados ao ritmo bastante acelerado de trabalho, terão que se preparar para demandas ainda mais exigentes. Será preciso se reinventar a cada novo projeto, com prazos de entrega mais e mais apertados. “As empresas da Era Exponencial irão exigir a preparação de um evento em apenas alguns dias, em outros casos, em apenas algumas horas. Uma empresa de eventos na Era Exponencial terá que se adaptar ainda mais a essa realidade”, conclui Edson.

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