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As THINK WEEKS de Bill Gates

Foto: Joshua Woroniecki/Pixabay
A arte de dar um tempo para deixar a mente livre para novas criações

Publicado em 17/05/2021

A gente vive num mundo barulhento, acelerado, cheio de ruído e distração. Está cada dia mais difícil. se concentrar e se aprofundar num único assunto.

Fracionamos cada vez mais nossa atenção com pílulas de informação, manchetes, notícias, memes, posts, tweets e cada vez menos em conhecimento mais denso e profundo, como por exemplo, livros ou projetos complexos para o futuro.

As “think weeks” começaram ainda nos anos 80 quando Bill Gates se refugiava na casa da avó para ler livros, e aos poucos foi se transformando numa experiência mais reclusa até o ponto em que necessariamente ele não tinha mais contato com ninguém nessas semanas. Muitas das inovações que foram implantadas pela Microsoft tiveram seu embrião nessas semanas.

Essas semanas de pensamento (em tradução livre) são uma espécie de isolamento voluntário que o bilionário Bill Gates, fundador da Microsoft, prática há várias décadas. Duas semanas ao ano, uma em cada semestre. Ele vai para uma casa afastada no meio de um parque, leva uma montanha de livros, artigos e projetos, se tranca isolado e fica refletindo, pensando o futuro e lendo, lendo muito.

Eu sei que para quem não está acostumado, ler é uma coisa que cansa.
Ler cansa? Sim cansa. Como fazer abdominal cansa, aprender outra língua cansa, pegar ônibus lotado cansa, cansa acordar cedo.

Como cansa todo ano reescrever as mesmas metas do ano passado que você não cumpriu. Como cansa não evoluir, cansa estagnar, cansa ser ignorante, cansa fingir que você sabe um monte de coisa que você sabe que não sabe.

Mas o pior de tudo é que um dia o mundo também cansa. Cansa de te dar oportunidades que você nunca aproveita.

         Por que as THINK WEEKS são importantes?

Em primeiro lugar, porque ao te afastar do barulho, da interrupção constante e das distrações, elas permitem um ambiente mais neutro para você se concentrar em outras coisas, se desconectar das coisas pequenas do dia a dia e se conectar comum pensamento mais livre e criativo.

Em segundo lugar, para não ficar escravo das urgências. A vida profissional da gente quase sempre é dragada pelas urgências. Centenas de e-mails, ligações telefônicas, reuniões, relatórios, prazos apertados, planilhas, o WhatsApp vibrando. Tudo isso é urgente e precisa ser feito.

As urgências te algemam e sequestram sua energia. O problema é que existe uma outra categoria de coisas: as importantes. Como o próprio nome diz elas são mais importantes que as urgentes, mas elas não são urgentes, e por não serem a gente vai adiando elas até o dia em que elas se tornam urgentes.

Cuidar da saúde é importante? Claro que é. É urgente? Normalmente não. Nosso corpo aguenta uma sequência razoável de agressões antes de adoecer. Você pode começar a cuidar da sua saúde amanhã. Ou depois de amanhã. Ou mês que vem. É importante eu sei, mas não é urgente ainda. Até que um dia você fica doente e cuidar da saúde passa a ser uma urgência. Talvez uma emergência.

Aprender inglês é importante? Of course it is. Mas é urgente? Precisa começar hoje? Calm down, take it easy. Não precisa apavorar também. Até que um dia aparece uma oferta de emprego que exige inglês e a entrevista é na semana que vem. Virou urgente. Aliás, virou impossível, porque ninguém aprende uma segunda língua em uma semana. That’s over, baby!

Investir em novos produtos e projetos para a empresa é importante? Claro que é. Mas é urgente? Não ainda, estamos tendo um bocado de lucro com a linha atual e seria uma loucura tirar atenção disso pra ficar pensando em produtos que nem foram lançados ainda. Aí vem o concorrente, ou uma startup, e lança um produto novo que vai acabar com o seu negócio.

E em terceiro lugar, para estimular o pensamento criativo, inovador e pensar em novos projetos.

É por isso que o Google incentiva que seus funcionários utilizem um pedaço de suas semanas para pensar e investir em novas ideias e projetos. E de novo: alguns dos projetos de sucesso que a Microsoft lançou foram testados nessas think weeks.

O que a THINK WEEK não pode ser?

Ela não pode ser uma filial da sua rotina de sempre. Não adianta levar a rotina do escritório pra dentro da Think Week, nem transformá-la numa maratona de séries da Netflix.

O jeito como você usa o seu tempo é o jeito que você GASTA a sua vida.

Resolva suas urgências mas não esqueça das coisas importantes.
Pense nisso. E de preferência, não esqueça de pensar diferente.

Contato com Alexandre Correia Lima – Monteiro Assessoria

Autor(a)

Alexandre Correa Lima

Alexandre Correa Lima é professor da FGV e ministra palestras em todo o Brasil, abordando temas como inovação, criatividade, longevidade e tendências.

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