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Validade dos profissionais no mercado de trabalho

Foto: Divulgação
Desafios da pandemia para a mudança comportamental das pessoas no ambiente corporativo

Publicado em 20/08/2020

A pandemia que estamos vivendo juntamente com os mais diversos desafios, traz à tona a necessidade de conversarmos sobre o mercado de oportunidades profissionais. Mas, vamos eximir a COVID-19 como única agente transformadora, pois década a década, ano a ano, esta mudança de necessidades e expectativas já era vivida por todos nós. O que tivemos especificamente com a pandemia foi uma aceleração forçada da necessidade de pivotarmos(que significa uma mudança radical no negócio) diariamente ou até algumas vezes no mesmo dia, tudo acelerou. Há quem possa achar que esta aceleração seja negativa, mas gosto sempre de ver o copo meio cheio, então vamos analisar esta transformação pela ótica positiva: a pandemia obriga que todos nós saíamos da nossa zona de conforto. Além dessa alavanca, vale comentarmos que a crise também nos trouxe a necessidade de ressignificar e agir prontamente.

Zona de conforto é aquela inércia que vivemos onde o que está bom continua bom e o que está ruim continua ruim e nos acostumamos com isso, mesmo que trazendo sentimentos e experiências negativas. Isso quer dizer, muitas vezes reclamar (e como reclamamos, não é mesmo?) de uma situação é mais fácil do que mudá-la. Agora, já imaginou aquilo que é bom podendo ser melhor ainda: uma viagem de férias por ano, por mais momentos memoráveis; um almoço no domingo com a família, por mais encontros despretensiosos com quem se ama, numa terça-feira qualquer; a obrigatoriedade de levar e buscar os filhos na escola, por um trajeto de compartilhamento e comunicação ativa.

Você sabe por que é tão difícil mudarmos e abandonarmos a nossa querida e estimada zona de conforto? Porque temos medo daquilo que não conhecemos e este medo gera a nossa resistência. Sim, o medo! Muito provavelmente ele quem está te impedindo de ir além, de ser mais, de buscar novos caminhos, de ser feliz.

Mas o que estas mudanças constantes e o nosso medo de mudar tem a ver com a validade dos profissionais? Todo momento de crise, seja causado por um vírus, por um atentado, pela economia, por conflitos ou tudo isso junto, impacta e muito o mundo dos negócios. Mundo este que, por pertencermos há um regime capitalista, somos dependentes para nos sentirmos vivos, uteis, suprir nossas vontades, proporcionar a realização dos nossos sonhos.

Diariamente empresários, empreendedores e líderes vivenciam um ambiente incerto e inconstante, fazendo com que seus desafios sejam ainda mais imprevisíveis. E para minimizar os riscos e danos promovem mudanças em suas estratégias de negócios o tempo todo. Os profissionais, por sua vez, possuem o desafio de ressignificar estas mudanças e acompanhar o novo trajeto desenhado para seguir navegando.

Para exemplificar, gostaria de compartilhar uma situação. Próximo a minha casa há uma hamburgueria que até a pandemia chegar, atendia apenas clientes físicos em seu salão. Logo na primeira semana de isolamento social pivotou o seu negócio: começou a atender pedidos para entrega diretamente em seu canal por telefone ou em seu app próprio, criado para esta necessidade e para estarem próximos de seus clientes; realizou parceria com outros apps que conectam consumidores a restaurantes; criou um cardápio novo, apenas com os pratos de maior saída para redução da produção interna e custos, além de facilitar a escolha de novos clientes que não conheciam e poderiam ter dúvidas com muitas opções; adquiriram embalagens de ótima qualidade para que os alimentos chegassem quentinhos e, personalizadas, para disseminar a marca; contrataram um entregador próprio para os pedidos realizados diretamente com eles e assim ter uma nova fonte de receita e menor custo de comissionamento, como acontece com os apps; aumentaram o volume do som do salão para que as pessoas, mesmo que poucas, que passam na rua, tivessem atenção ao estabelecimento; em todos os pedidos enviam brigadeiro cortesia, diga-se de passagem de “comer de joelhos”, como todos os pratos que impecavelmente desenvolvem; não só diminuíram as opções do cardápio, como tiveram também que diminuir o quadro de colaboradores e é sobre isso que quero me aprofundar.

Num restaurante há diversos cargos que são fundamentais para o funcionamento neste novo modelo de negócios, atendente, cozinheiro, entregador, por exemplo. Mas, há um cargo que se fez necessário para receber clientes internamente, pelo horário atendido e até mesmo região localizada, o segurança. Porém, neste novo formato, sem clientes internamente no salão, no início do isolamento, e horário reduzido, imagina-se que foi o primeiro corte realizado, não é mesmo? O que faria total sentido organizacionalmente e financeiramente para a saúde do negócio. Mas, agora vem a surpresa. O cargo realmente foi extinto, mas o profissional que o exercia não.

Hoje ele ocupa um papel de agente parceiro do negócio, nomenclatura dada por mim nesta avaliação, pois define exatamente este profissional. Como descrição de suas atuais atividades temos: gerenciar os pedidos recebidos para acompanhamento com a cozinha e entregadores, respeitando o prazo de entrega estimado com o cliente; confere, embala e personaliza cada pedido; auxilia no atendimento do salão reduzido (agora já aberto com redução de horário e distanciamento); além das atividades internas antes e depois do expediente de atendimento. Agora entenderam por que agente parceiro do negócio? Um profissional que rapidamente ressignificou e mudou, atento a todo o processo do negócio para prontamente agir, seja lá qual for o cargo, atividade ou necessidade.

Foto: Divulgação

Este é só um exemplo de muitos que temos no mercado corporativo, mas quis trazê-lo aqui para exemplificar que a validade dos profissionais em suas empresas está relacionada a sua vontade de resolver problemas do negócio, sejam eles quais forem. Quem nunca ouviu alguma dessas frases: “mas isso eu não faço/ isso não é função minha/ não sou pago para fazer isso”. Pois é, nunca foram admissíveis, agora muito menos. Se você, trabalhador, está preocupado com o seu futuro profissional, estude este exemplo que citei acima e defina suas mudanças, para ser um agente parceiro para a solução de problemas da empresa a qual lhe deu esta oportunidade.

Se você, empreendedor está preocupado com o futuro do seu negócio, estude sua realidade e seus colaboradores, identifique e desenvolva os seus agentes parceiros para que juntos possam construir novas etapas de sucesso para todos. Mudou e mudou para todos, então todos nós temos que aprender e nos adaptar a diversas mudanças para que possamos seguir em frente.

Autor(a)

Manuele Peglow

Manuele Peglow

Gestora de marketing da Vendrame Consultores. É pedagoga, com especialização em Gestão de Negócios e Marketing Digital. Atua na área de Recursos Humanos com foco em desenvolvimento de pessoas há mais de dez anos. Comandou unidade de negócios de T&D em consultorias, onde foi gerente de marketing em implantação de marketing digital. Desde 2019, é Business Partner da Vendrame Consultores, onde faz a gestão do planejamento estratégico, marketing e desenvolvimento dos profissionais.

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