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Comunicando melhor

Divulgação: Vecteezy.com
A comunicação não-violenta trabalha a empatia e a escuta e traz ganhos para empresas e pessoas

Criar ambientes de trabalho colaborativos, nos quais as pessoas se relacionem de forma     harmoniosa,  é  um desafio para qualquer organização. Principalmente em momentos de crise econômica e bastante pressão por resultados, é comum que os ânimos se exaltem e conflitos apareçam. A comunicação, fundamental para qualquer relacionamento e inata ao ser humano, pode ser a chave para criar um bom  clima organizacional.

Wanda Quadra, Fundadora da consultoria Be Coaching

Mas,  mesmo  que  se comunicar seja imprescindível para todos nós, este exercício nem sempre é fácil. “Nós somos educados para reproduzirmos   uma   comunicação   alienante, carregada de julgamentos. Muitas vezes não  temos  consciência  do   impacto  que esse modelo causa e, por isso, repetimos. Contudo,  a  comunicação  é uma via de mão dupla e por isso precisamos nos atentar para a forma que nos expressamos e ouvimos o outro”, afirma Wanda Quadra, fundadora da consultoria Be Coaching.

Para melhorar a forma como nos comunicamos com o outro, em 1960 o psicólogo norte-americano Marshall B. Rosenberg criou o processo de comunicação não-violenta (CNV), que busca facilitar o diálogo entre as pessoas a partir da observação e da empatia. No âmbito corporativo, o objetivo é conseguir  melhorias  no  clima  organizacional  e na produtividade da empresa, sem humilhações, ofensas,  coações  e  ameaças a nenhum colaborador. “A comunicação  não-violenta  prevê  uma  forma  de interagir com  o  outro  que  nos  leva  a utilizar palavras que  nos  tragam  o mais positivo, ou seja,  nos  fortalecendo a continuar sendo humanos mesmo em situações de crise”, diz a analista comportamental Mariza Baumbach.

Os pilares da comunicação não-violenta

Muitos acreditam que para praticar a uma comunicação positiva basta apenas retirar palavras ofensivas ou gestos bruscos do vocabulário. Contudo, a prática  da  comunicação   não-violenta é algo que vai muito além disso. “Falar de forma educada e calma pode trazer um conteúdo bem recheado de ironias  e cinismo, por exemplo. O sentido da CNV, contudo, está na expressão dos nossos sentimentos para a resolução de conflitos”, completa Mariza.

Mariza Baumbach, analista comportamental, gestora e pedagoga

Muitos acreditam que para praticar a uma comunicação positiva basta apenas retirar palavras ofensivas ou gestos bruscos do vocabulário. Contudo, a prática  da  comunicação   não-violenta é algo que vai muito além disso. “Falar de forma educada e calma pode trazer um conteúdo bem recheado de ironias  e cinismo, por exemplo. O sentido da CNV, contudo, está na expressão dos nossos sentimentos para a resolução de conflitos”, completa Mariza.

A comunicação não-violenta é estruturada em quatro pilares fundamentais, conforme quadro abaixo:

Por que é tão difícil praticar a comunicação não-violenta?

Uma das maiores dificuldades em adotar a CNV é a ausência do autoconhecimento. Grande parte das pessoas não percebe quem é, onde está e por que está. E vive uma vida frenética. Sem olhar para si mesmo é muito difícil olhar para o outro e entender as suas necessidades.

Allessandra Canuto, especialista em gestão estratégica e de conflitos, sócia da AlleaoLado

“Hoje em dia vivemos um analfabetismo emocional. Desde criança não somos estimulados a entender e diferenciar os nossos sentimentos, por isso não conseguimos nos apropriar das nossas emoções”, afirma Allessandra Canuto, especialista em gestão estratégica e de conflitos e sócia da AlleaoLado. Paralelo a isso, tendemos a associar mostrar sentimentos com vulnerabilidade e fraqueza.

De acordo com Marshall, a natureza do ser humano é ser compassivo    e a comunicação não-violenta é uma forma de resgatar essa capacidade. Por isso, para praticar a cnv, os indivíduos precisam exercitar a empatia: a capacidade de se colocar no lugar do outro. E, ao contrário do que aparenta, embora algumas pessoas sejam mais empá- ticas que outras, essa característica não é algo inata no ser humano. “Empatia é uma questão de se conscientizar, é uma escolha. Precisamos começar a perceber quando julgamos ou mesmo queremos ‘ensinar’ o outro, algo muito comum  nas empresas, e não percebemos e respeitamos a forma como ele enxerga o mundo”, afirma, Allesandra.

Todos ganham

Os impactos de utilizar a  comunicação não-violenta nas organizações são vários. Funcionários desmotivados, se tornam menos engajados e consequentemente produzem menos ou mesmo aumentam a rotatividade das companhias.

“A comunicação não-violenta melhora o clima organizacional  porque  as pessoas enxergam que podem  ser  elas mesmas, se sentem consideradas”, afirma a executiva da AlleaoLado.

Wanda reitera que quando as pessoas se sentem valorizadas elas também se tornam mais colaborativas e genuinamente querem contribuir para a empresa – além de evitar problemas de saúde e o consequentemente aumento de absenteísmo. “Cuidar dos nossos relacionamentos  é  cuidar  da   nossa  saúde. Um dos principais fatores de es- tresse no trabalho são os  relacionamentos interpessoais. Algumas pessoas, inclusive,  sofrem  de  burnout  por  conta de conflitos no trabalho. A CNV surge para quebrar esse ciclo, aumentar a colaboração, a confiança e o engaja- mento”, diz Wanda.

Os gestores também podem se valer da comunicação não-violenta para melhorar a forma como inspiram e lideram os times. “A necessidade é humana e universal, então quando um líder se expressa, ele se conecta e gera uma vontade por parte dos liderados em contribuir, além de aumentar a clareza para o time”, afirma Wanda.

No mundo de hoje, onde não há mais espaço para aquele perfil de líder autoritário, do tipo manda quem pode obedece quem tem juízo, a comunicação não violenta pode ser uma grande aliada também.

Deborah Vasques, gestora de RH e advogada trabalhista

“Muitas vezes temos relatos de chefes gritando com funcionários em público. Isso demonstra falta de inteligência emocional e expõe a própria empresa – além dele próprio – a prejuízos como denúncias de assédio  moral.  Um  líder  deve  ser claro em suas colocações e mostrar que está junto para ajudar e orientar. Os liderados  devem   se   sentir   acolhidos   e não com medo da liderança”, diz Deborah Vasques, gestora de RH e advogada trabalhista.

Por fim, para conseguir ouvir e entender os sentimentos do  outro  é preciso inteligência emocional para entender a si próprio e reconhecer que a forma como nos comunicamos não  é  a  mais adequada. “O principal fator é identificar que há necessidade de mudança, pois se auto avaliar e entender que a comunicação não está fluindo as vezes pode ser difícil. Uma vez identificado, trabalhar o lado emocional  para  iniciar uma melhor comunicação que os resultados fluirão”, diz Deborah.

Mesmo dolorido no começo,  quando  os  ganhos  de  uma   comunicação   melhor   começam a aparecer, você percebe que o esforço e experiência são positivas e isso gera um ciclo virtuoso.

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