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Você sabe o que é People Analytics?

Foto: rawpixel.com / Adobe Stock
Conheça o People Analytics, metodologia que está levando os recursos humanos a outro patamar

Ao contrário do que muitos imaginam, não se trata de um software ou uma ferramenta. Tendência mundial, o People Analytics é um conceito, um conjunto de métodos que vem ganhando força no Brasil em muitas empresas. Baseado na análise de dados aplicada à gestão de pessoas, o processo permite uma visão estratégica do papel de cada colaborador dentro da companhia como um dos recursos mais importantes para o sucesso dos negócios.

Com o objetivo de entender o que torna os funcionários mais engajados, produtivos e felizes dentro do ambiente de trabalho, o People Analytics ajuda líderes e equipes inteiras a transformarem e entenderem padrões de comportamento através do Big Data.

Um dos pioneiros no método do Brasil, o PhD, Doutor em Sistemas de Gestão pela UNICAMP, mestre e engenheiro Dr. Marco Silveira, é um dos sócios-fundadores da Integrare, empresa especializada em soluções de People Analytics no Brasil, explica como funciona o processo de análise de dados. “É um conjunto de métodos e conhecimentos visando quantificar os impactos do capital humano nos negócios. Através da aplicação competente do People Analytics, as organizações podem identificar quais são os fatores de competência que mais impactam o desempenho de uma determinada função e, com esse conhecimento, identificar quais são os candidatos para aquela função que apresentam essas características em mais alto nível”.

Como funciona

A empresa coleta dados de diversas fontes, como redes sociais, review de usuários, metadata, tendências de vendas, etc. Através das informações que estão presentes no Big Data, o People Analytics recolhe, armazena e analisa em busca de resultados que permitam a melhor tomada de decisões de acordo com determinado problema. É importante pontuar que quanto mais qualificados forem esses dados, no sentido de serem reais e verdadeiros, mais assertivas serão as análises.

Ao “iluminar” a dimensão humana com as informações trazidas pelo People Analytics a empresa consegue integrar competitividade com qualidade de vida. Ou seja, empresa e colaboradores passam a ter uma relação ganha-ganha. Exemplos práticos: quanto mais o colaborador aprende, mais a empresa inova; quanto mais saúde tem o colaborador, maior a produtividade da empresa. O People Analytics consegue mostrar o que, onde, e como melhorar tudo isso”, pontua o Dr. Marco.

O RH deve fazer um levantamento de quais são os principais problemas que estão sendo enfrentados pela empresa no momento para que seja definido o que se pretende resolver com o cruzamento de dados. Feito isso, é preciso saber executar a coleta e não focar somente no desempenho, mas também como e no que o funcionário fez para atingi-lo.

Com os dados e métricas em mãos, a empresa deve entender as correlações e interdependências entre eles. Com os dados analisados, os recursos humanos podem prever e planejar ações futuras que beneficiem os negócios.

Estratégia de RH

“O aumento da assertividade na gestão de pessoas traz grandes benefícios tanto para o desempenho da empresa como para a qualidade de vida no trabalho. Isso porque é comprovado que pessoas melhores agregam mais valor à empresa. Porém, sem que se saiba o nível desses impactos, a empresa não consegue avaliar os reais benefícios do investimento no seu pessoal”, explica o diretor da Integrare.

O vice-presidente da LG Lugar de Gente, maior empresa brasileira especializada em soluções de tecnologia para gestão de rh, Felipe Azevedo, reafirma a necessidade de dados confiáveis para obter melhores resultados através da metodologia. “A premissa para ter um People Analytics de qualidade e assertivo é ter os dados consolidados entre os vários subsistemas de recursos humanos e, muitas vezes, cruzar com sistemas relacionados ao negócio, por exemplo, resultados de vendas, rentabilidade, satisfação do cliente”.

Segundo uma pesquisa feita pelo Sebrae e pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) com quase 2 mil organizações, a maioria das empresas que não alcançam o sucesso não possuem uma gestão diferenciada de RH. Companhias que investem na retenção de talentos têm maiores chances de aumentarem sua produtividade e gerarem melhores resultados. “Apesar de todos reconhecerem a importância do capital humano para o sucesso dos negócios, os seus impactos nas empresas ainda são muito desconhecidos. Por essa razão, isso sempre foi objeto de estudos e pesquisas nos grupos de trabalho que eu dirigi”.

O Chief Creative Officer na Nexialistas Consultores, Alberto Roitman, alega que o cruzamento de dados é essencial para o RH das empresas e pode oferecer resultados valiosos para a equipe. “É muito importante pensar em um MPV, ou seja, o Mínimo Projeto Viável. Comece analisando dados da empresa que podem não gerar qualquer interpretação. O cruzamento de dados pode trazer informações impressionantes”.

Onde tudo começou

O Google foi a empresa que desenvolveu pioneiramente o People Analytics no mundo com o objetivo de melhorar a qualidade de recrutamento de funcionários sem ter que contratar mais profissionais para isso. Após o desenvolvimento dessa tecnologia, a companhia focou em medidas para engajamento de pessoas. “Internacionalmente, um caso que ficou famoso foi da empresa Google em 2015, ao aplicar o People Analytics para melhorar seu processo de recrutamento e seleção de novos colaboradores. Mas, vários pesquisadores trabalham com isso há alguns anos, como nós aqui no Brasil que desde 2005 estudamos como fazer modelagem matemática dos efeitos do capital humano nas inovações e na geração de conhecimento”.

People Analytics no Brasil

“É difícil situar uma data exata, mas podemos estabelecer 2016 como um marco na área de People Analytics no Brasil. Isso porque em outubro de 2016 foi o assunto de capa da Revista Você-RH, e foi também nesse mesmo mês que a INTEGRARE formou a primeira turma de People Analytics no Brasil. E, até onde sabemos, somos pioneiros nisso também”, afirma o Dr. Marco Silveira.

Apesar da popularidade do método fora do país, a grande maioria das empresas ainda não adotaram a metodologia por aqui. “Como hoje as empresas desconhecem completamente os efeitos do capital humano, trata-se de um grande divisor de águas, que aumentará substancialmente o desempenho das empresas com capacidade de entender o que está acontecendo, e saírem na frente das demais”. “Aos poucos as retardatárias serão obrigadas a seguir o mesmo caminho. Será um fenômeno semelhante ao que aconteceu com o uso de ferramentas analíticas para análise de mercado (BI, CRM etc): quem saiu na frente ganhou muito dinheiro. Hoje, todas que quiserem ter um nível mínimo de competitividade, são obrigadas a ter”.

Para Alberto Roitman, o Brasil começou a sentir os benefícios do método um pouco antes. “Ela começa a ganhar a pauta de discussão nas empresas a partir de 2010, exatamente quando a discussão de tornar os RH´s das empresas mais estratégicos. Os CEO´s de grandes empresas passaram a perceber que havia muita informação importante dentro da própria empresa, e que não era tão necessário contratar tantos institutos de pesquisa para pesquisar dados do mercado”, comenta.

Dentro das empresas o uso do People Analytics tende a crescer nos próximos anos gerando inúmeros benefícios tanto para as companhias quanto para os funcionários. “Melhor tomada de decisão sobre pessoas, menos subjetividade, mais agilidade que se traduz por maior produtividade. O líder estará mais instrumentalizado e o colaborador tende a ser reconhecido de forma mais meritocrática, visto que as decisões serão baseadas em realizações, fatos e dados, e não mais apenas em relacionamento”, finaliza Azevedo.

Fonte: Integrare

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