Página Principal Revista EBS

A importância do marketing pessoal em tempos de crise

Foto: Gerd Altmann / Pixabay
Entender e praticar corretamente a estratégia, ajuda o profissional a demonstrar para as pessoas e empresas, as técnicas, qualidades e as habilidades que possui

Publicado em 15/07/2020

Em tempos de pandemia e distanciamento social, manter uma boa comunicação e um bom relacionamento são fundamentais para qualquer profissional que queira se destacar no mundo corporativo. Neste sentido, as estratégias de marketing pessoal podem ser úteis para todos os tipos de profissionais que estão em busca de recolocação no mercado, ou até mesmo interessados em apostar em um novo rumo para sua carreira. Por isso, saber como transmitir a sua imagem frente à sociedade é algo extremamente importante para conquistar bons cargos e ser bem sucedido profissionalmente.

Ao contrário do que possa parecer, marketing pessoal não significa projetar ou vender uma imagem não condizente com a realidade. Mas na verdade, adotar um conjunto de estratégias para atribuir mais valor a imagem pessoal do profissional, estar mais próximo do público e fazer com que ele preste atenção na sua marca pessoal. E, da mesma forma como acontece no marketing de produto, se ele não for bem realizado e os profissionais não investirem no seu desenvolvimento, também não sobrevivem por muito tempo no mercado.

Marcia Auriani
Foto: Assessoria

“Eu tenho uma frase que gosto muito: “quando o produto é bom, por si só ele se vende”, ou seja, quando o profissional é fera na sua área de atuação, ele aparece naturalmente no mercado, até porque ele é referência no assunto”, ressalta Marcia Auriani, especialista em branding e gestão do design no Brasil e que também atua no mercado corporativo como palestrante e consultora e no meio acadêmico como coordenadora e professora de pós-graduação e MBA.

Madalena Feliciano
Foto: Assessoria

A profissional pontua que o marketing pessoal é importante para mostrar ao mercado o que o profissional vem fazendo e realizando e principalmente o quanto este profissional é bom para a empresa ou sociedade. “Evidenciar os atributos bons é sempre importante, e as redes sociais nos ajudam a mostrar nossas conquistas e o quanto somos diferenciados num determinado assunto. Estar em evidência é super importante”, afirma.

“A forma como as pessoas se comunicam e se comportam, frente a sua empresa, sua equipe e a uma entrevista de trabalho, por exemplo, podem criar empatia ou antipatia, dependendo do caso. É aí que entra o marketing pessoal. A questão é: você pode ser o melhor trabalhador do mundo, mas, se não deixar isso transparecer por meio de atitudes, fala, postura, posicionamento, seja na vida real ou em perfis de redes sociais profissionais, é possível que sua equipe, seu chefe ou futuro chefe,; não percebam que você possui todo esse potencial escondido em você”, complementa Madalena Feliciano, gestora de carreira.

branding pessoal e marketing pessoal
Foto: Cheska Poon – Pixabay

Branding pessoal e Marketing pessoal: qual a diferença?

O branding pessoal é a prática de promover o seu nome como se fosse uma marca. Por outro lado, fazer marketing pessoal,é divulgar publicamente o seu trabalho,mostrando aquilo que você já fez e o que pode fazer, falando sobre um assunto como especialista, por exemplo.

Marcia Auriani, destaca que branding pessoal é o mesmo que gestão da marca pessoal e seu objetivo é construir uma marca de destaque no mercado. Já o marketing pessoal ajuda a construir essa marca ao definir estratégias ideais para o sucessoprofissional e pessoal.

“É essencial não confundir marca pessoal com marketing pessoal. Marca pessoal é a reunião de seus talentos e de seus atributos, bons e ruins. Marketing pessoal é como você vai mostrar ao mundo todas essas características, ou seja, as estratégias que vai adotar para refletir ao mercado o diferencial do seu produto e o valor da sua marca pessoal”, ressalta.

Para ela, assim como acontece com o marketing de um produto ou serviço, tais estratégias servem para alavancar o sucesso daquilo que está sendo divulgado para outros. “Os resultados de uma má gestão são os mesmos: a percepção do mercado será negativa. É aí que entra a importância do assunto num mundo cada vez mais competitivo e transparente. Como o gestor da sua marca pessoal é você mesmo, entender de branding pessoal é fundamental”, orienta.

Madalena Feliciano lembra que o marketing pessoal, quando bem feito, é um grande diferencial tanto na hora da contratação quanto no dia a dia de uma empresa. “Uma situação comum é quando duas pessoas com currículos parecidos fazem o mesmo trabalho dentro de uma empresa. Porém, apenas uma delas se destaca e é utilizada como exemplo. Por que isso acontece? Porque nem tudo se resume ao trabalho. Essa pessoa que ganha mais atenção provavelmente sabe fazer seu marketing pessoal e destacar suas qualidades que vão além da função profissional”, afirma.

A importância do marketing pessoal para profissionais autônomos

O mercado de trabalho está passando por uma transformação e muitos profissionais estão encontrando no empreendedorismo uma alternativa à falta de trabalho formal ou à ampla concorrência por uma vaga. Por essa razão, personal branding e marketing pessoal são duas ferramentas importantes para o profissional autônomo ou freelancer, seja ele iniciante ou com vasta experiência no seu ramo de atuação.

Marcia Auriani afirma que o marketing pessoal é fundamental para os profissionais autônomos, pois ele é o produto e precisa chamar a atenção no mercado para o que ele é bom e o que sabe fazer de melhor. Ela também chama atenção para a importância do planejamento de marketing pessoal. “Planejamento de marketing pessoal é equivalente a qualquer planejamento de marketing, aplicando-se a mesma metodologia ao produto ‘você’”, explica.

Ela sugere que o profissional faça um questionário para responder perguntas como: Você conhece o seu ambiente? Mercado? Clientes? Concorrentes? Todo produto é composto de conteúdo – produto ou serviço em si -, embalagem e marca. Você conhece bem o seu produto? Você tem marca pessoal? Como é a sua “embalagem”? Quais são as suas características principais?

“Após analisarmos o ambiente e produto, precisamos avaliar as nossas competências e os cenários possíveis para podermos escolher as melhores estratégias de atuação. O instrumento que nos auxilia a fazer isso nos planos de marketing é a matriz SWOT (forças, fraquezas, ameaças e oportunidades) – ela é essencial para compreendermos o contexto estratégico do seu produto. Você sabe quais são as suas forças pessoais? E fraquezas? Você já fez uma análise de cenários avaliando ameaças e oportunidades? Qual é a sua situação? Como você pode usar as suas forças para aproveitar as oportunidades do mercado e se defender das ameaças? O que você pode fazer para amenizar as suas fraquezas?”

A consultora ressalta que combinando o produto com o preço, praça e comunicação (promoção) surgem as estratégias variadas para se alcançar objetivos distintos. Ela sugere que o profissional levante algumas questões que precisam ser respondidas para traçar um plano de marketing pessoal, como por exemplo:

“Qual a melhor combinação de produto, preço, praça e promoção para você? Como você se apresenta? Qual é o seu conteúdo? Que plataformas você usa para se promover? Você tira proveito do ambiente digital? Essas são apenas algumas. Desenvolver esse planejamento e cuidar da marca pessoal são ações essenciais, pois da mesma forma que os produtos e serviços produzidos e oferecidos por empresas podem ser lançados, substituídos ou descontinuados, o mesmo pode acontecer com você”, enfatiza.

“O profissional autônomo é o gestor nesse processo, portanto estratégias de marketing pessoal bem feito farão a diferença na construção de uma marca pessoal diferenciada no mercado”, complementa.

Para ela, nesse processo de construção de marketing pessoal não podem faltar adefinição de metas e objetivos, além do famoso networking. “Se o profissional não tem metas e nem objetivos pra sua carreira ou para sua vida, ele não tem nada. É fundamental conhecer pessoas e sempre estar em contato com estas pessoas. Tem várias técnicas sobre networking, mas uma é infalível, gostar de conhecer pessoas e não importa o cargo e função. Também é importante estar sempre presente nas redes sociais, mas presente com conteúdo e não mostrando o prato de comida, ou a farra com os amigos no final de semana. As grandes empresas já estão contratando profissionais pelo o que elas vêm postando em suas redes”, observa.

Em sua opinião, competitividade e atualização andam juntas e que paraser competitivo, o profissional precisa estar sempre atualizado e, neste sentido, o repertórioé fundamental para dar credibilidade e despertar a consistência no branding pessoal.

“Investir na sua marca deve ser algo constante, ou seja, precisa estar antenado com o mercado e isso só é possível se este profissional estiver atualizado. E para isso, ele precisa ter o hábito de estar em constante aprendizado, seja por meio de livros, de cursos, da participação em eventos e congressos, com o objetivo de trazer e gerar novas ideias. Neste momento de Covid-19, precisamos de profissionais pensantes e que possam contribuir com soluções emergenciais e que gerem resultados para as empresas, para o mercado e para sua marca pessoal. Neste ponto o propósito pessoalé importante para que essa busca constante por aprendizado seja relevante no seu branding pessoal. “A determinação do propósito é o ponto de partida para o profissional ser relevante por meio do seu repertório”, avalia Marcia Auriani.

Como começar a colocar em prática?

Para quem deseja começar a colocar seu marketing pessoal em prática, Marcia propõe: “comece realizando um bom plano de marketing para a marca pessoal e neste plano definir quais são as estratégias de marketing pessoal, importantes para a construção da marca pessoal. As estratégias de marketing focam em otimizar as ofertas para que sejam o mais bem-sucedidas possível em determinado mercado. Assim, estratégias de marketing bem planejadas alavancam o sucesso de produtos, serviços, empresas. Quanto mais consistente e alinhado com o mercado, maiores as chances de sucesso de um plano. Não basta apenas que o produto seja bom, ele precisa estar alinhado com as necessidades de mercado para ter sucesso”, afirma.

Para ela, assim como no marketing de qualquer produto ou serviço, o marketing pessoal também precisa de estratégia. “O seu principal produto é você, no entanto, uma grande parte dos profissionais passa a vida sem traçar um planejamento de carreira consciente e consistente buscando alcançar metas pessoais. Mesmo que você tenha um objetivo bem definido para a sua carreira profissional, sem um plano, ele tem poucas chances de se realizar”, ressalta.

Madalena Feliciano por sua vez, dá algumas dicas que podem ser seguidas por aqueles que desejam se destacar e conquistar uma vaga de trabalho, tornar-se exemplo na empresa que atuam ou até mesmo manter um bom emprego. Confira:

  • Seja uma pessoa bem humorada e otimista, alguém que as pessoas desejam estar perto;
  • Saiba trabalhar em equipe, administrar conflitos e influenciar os outros pelas ações, não somente pelas palavras;
  • Respeito, honestidade, fidelidade, gentileza e humildade nunca fizeram mal a ninguém. Invista nessas características;
  • Prometeu? Cumpra. Pessoas de palavra, confiáveis e responsáveis são muito valorizadas no ambiente profissional e pessoal;
  • Reconheça seus pontos fracos e seus pontos fortes. Sempre trabalhando para melhorá-los;
  • Utilize a internet a seu favor: cultive seu networking, dando sempre feedback para seus colegas, mantendo-se atualizado nas redes sociais e profissionais, deixando o currículo sempre em dia, checando e-mails e mostrando que está sempre antenado com os acontecimentos do mundo.

Leia também:

Relacionados

A estratégia de Employer Branding na atração e retenção de talentos

Mudança de Hábitos

Como liderar em um cenário de volatilidade?

Um líder compreende, motiva e colabora com a equipe

Como manter a motivação em tempos difíceis?

Home office e o esgotamento profissional

O perfil do profissional no pós-coronavírus

Indústria 4.0 e a recuperação econômica do setor de eventos