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Elas no comando

Um pouco da história de importantes personagens femininas no MICE e RH

A discussão sobre diferenças de gênero vem ganhando relevância exponencial nos últimos anos. O movimento feminista, que há muito parecia adormecido, tem se mostrado o verdadeiro gigante que acordou. Em diferentes esferas, as mulheres estão cada vez mais engajadas em lutar por seus direitos e lugares de protagonismo, seja no âmbito pessoal ou profissional.

Cerca de 52% da população brasileira é representada por mulheres. Há quem acredite que o mercado corporativo não faz mais esse tipo de distinção na hora de contratar ou promover um funcionário, mas não é bem esse cenário apresentado pelos números.

Durante o Fórum Global da ONU Mulheres de 2018, realizado no mês de março, uma pesquisa apresentada apontou que apenas 8% de cargos de presidência são ocupados por mulheres em empresas brasileiras. Muitas não possuem ocupações de vice-presidência, diretoria ou conselhos de administração. As companhias nas quais essas posições existem apresentam representantes do sexo feminino bem inferiores quando comparados aos do sexo masculino.

Segundo o mesmo estudo, empresas com mulheres em posições de liderança tendem a ser mais engajadas e lucrativas. Mesmo assim, apesar da representatividade feminina ter apresentando uma expansão significativa, ainda está longe de se considerar igualitária.

A Rede Mulher Empreendedora (REM) realizou uma pesquisa inédita sobre o Perfil da Empreendedora Brasileira. Além de destrinchar as características das mulheres de negócio, o estudo traz um panorama real de conflitos diários, maternidade e carreira, momento financeiro e dificuldades na hora de tocar seu próprio negócio.

Entre as 1.376 mulheres, 85% já empreendem e 15% têm vontade e abrange uma boa representatividade:  São Paulo Capital e região metropolitana (19,65%); MG, ES e interior de São Paulo (22,33%); Região Sul (20,23%); Estado do RJ (12,21%), Regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste (22,33%).

A idade delas é, em média, de 39,1 anos, a maioria casada e com filhos. 75% decidem empreender depois da maternidade e 79% possui ensino superior ou mais. No quesito tempo de negócio, 42% iniciou seu negócio há menos de 3 anos e 39% tem mais de 6 anos.

Elas no segmento MICE

Seja na posição de fornecedor, cliente final ou agência, profissionais competentes se mostram líderes natas e afirmam que vieram para ficar. Com criatividade, sensibilidade e espírito de equipe, elas engajam colaboradores e ostentam ótimas performances no mercado MICE.

Ana Luísa Cintra/Divulgação

Ana Luísa Cintra

A diretora do Centro de Convenções Rebouças iniciou sua trajetória profissional muito jovem. Enérgica e engajada com seus projetos, sua ascensão no mercado de eventos foi algo natural. “Tive grandes aprendizados, principalmente nos meus 10 anos de Incor, onde organizei muitos congressos médicos e coloquei em funcionamento uma área de comunicação com todas as suas interfaces”, conta.

“Quando cheguei ao Centro de Convenções Rebouças já tinha uma história consolidada. Esta experiência me fez colocar do outro lado do balcão – de quem organiza o evento, suas dificuldades, aflições. E o que fez a diferença foram as pessoas que me acompanham por todo tempo; fui coroada com um time de primeira linha do Rebouças, formado por pessoas comprometidas, afinadas com o propósito de inovar, de obter resultados, de prestar um serviço de excelência”.

Para a executiva, o segredo do sucesso é dançar conforme a música e se manter atualizado. “Naturalmente ficar cada vez mais atento aos diferentes cenários do país, rumos, tendências. Aprofundar os conhecimentos digitais e o processo de gestão de pessoas – os colaboradores representam a alma da empresa e precisam de cuidados. Iniciamos um trabalho mais a fundo desenvolvendo workshops com os fornecedores, promovendo ações de maior integração e motivação entre todos e já estamos colhendo frutos muito positivos”, explica.

Gabriela Cardozo/Divulgação

Gabriela Cardozo

Inserida em um meio predominantemente masculino, a CEO da GAV- Grupo Atual Victória, com expertise em segurança, limpeza e facilities com forte atuação em eventos, Gabriela Cardozo, comanda uma equipe composta majoritariamente por homens.

“Como mulher à frente de um negócio de segurança, tenho muita dificuldade. Primeiramente percebo que quase 80% do público que trabalha para mim é do sexo masculino, muitas vezes são homens inseridos em nossa sociedade que já têm um conceito e pensamentos machistas, um pouco resistente a respeitar uma ordem ou sugestão do ponto de vista feminino”.

Segundo a CEO, o respeito é fruto de anos de trabalho e afirma que, apesar das dificuldades, sua equipe é exceção. “Isso não é determinante e nem regra, pois temos exceções. Eu não tenho dificuldade com minha equipe com relação a ser aceita nas minhas decisões. Mas é algo que foi conquistado ao longo dos anos. Todos ao meu redor me apoiam em minhas decisões”.

Rosângela Gonçalves/Divulgação

Rosângela Gonçalves

Diretora Comercial e Marketing do Transamerica Hospitality Group, a executiva acumula uma bagagem invejável atuando em eventos de grande prestígio. “Ter o privilégio de atuar em várias áreas operacionais e comerciais da hotelaria e com profissionais extremamente talentosos fez todo diferencial”, conta. “Ter participado com resultados extremamente positivos em eventos como ACNO 2000, Jogos Mundiais Militares, Rio + 20, Jornada da Juventude, várias edições do Rock in Rio, Copa do Mundo, Olimpíadas Rio 2016, entre tantos outros, foram momentos desafiadores e que me trouxeram experiências profissionais incríveis”.

“O setor hoteleiro tem demonstrado cada vez mais interesse em levantar essas questões, principalmente dentro de eventos e convenções, o que já é um avanço. Cuidar de pessoas, receber bem, ser anfitriã e contagiar as equipes e organizações são características essenciais na atividade”.

Estela Farina/Divulgação

Estela Farina

“Eu iniciei minha carreira profissional em Recursos Humanos. Embora meu objetivo desde muito cedo tenha sido trabalhar na área de turismo, a experiência em Recurso Humanos contribuiu com a experiência de construção de equipe, comunicação e prestação de serviço, ou em termos objetivos, como lidar com pessoas e suas diferentes expectativas”, diz a diretora da NCL – Norwegian Cruise Line Holding.

Para ela, o debate sobre o empoderamento feminino é importante, mas é uma bandeira na qual ela não levanta em seu negócio. “Minha avaliação e tratamento levam em consideração as características e competências pessoais, independentemente do gênero”.

Cheiko Aoki/Divulgação

Chieko Aoki

Formada em Direito pela USP e em Administração pela Universidade de Sofia, em Tóquio, a presidente do Blue Tree Hotels, atuou em diversos lugares do mundo como EUA, Ásia e Europa como presidente da rede Caesar Park e como vice chairman da Westin, a mais antiga rede hoteleira dos Estados Unidos.

Com experiências em outros países, ela afirma que nunca sentiu hostilidade por parte dos homens brasileiros. “Nunca tive problemas por ser mulher, pelo menos nunca notei, são sempre muito gentis e sempre me incluíam nas rodas de discussões. No início, ficava constrangida por ser a única mulher, mas, como a gente acostuma com tudo quando tem uma missão, fui assimilando”.

“A crise colocou muitas mulheres no mercado de trabalho que, começando pequenas, têm crescido continuamente. Com isso quero dizer que, se englobamos também as pequenas empresárias, elas são CEOs de sua vida e do seu negócio e estou torcendo para que continuem progredindo. O que dá sustentação a um país não são apenas as grandes empresas, mas também as pequenas e médias e, nestas, vamos encontrar muitas mulheres que são excelentes executivas e CEOs”.

Araceli Silveira/Divulgação

Araceli Silveira

Acostumada com desafios, a vice-presidente de marketing da Informa Exhibitions nunca se deixou intimidar no mundo corporativo. Jornalista de formação, ela lidera uma equipe engajada na indústria de eventos nas áreas de marketing e vendas com foco em B2B

“Os desafios sempre fizeram parte da minha trajetória. Meu trabalho envolve diretamente a geração de negócios e performance de resultados, por isso, as exigências sempre existiram”.

Para Araceli, a educação será a mola propulsora para a mudança que as profissionais do segmento querem ver. “Na minha trajetória no mundo corporativo sempre busquei me destacar por meio da qualificação. Acredito que o conhecimento é a forma mais eficaz de alçar voos no meio profissional, assim como estar atenta aos movimentos do mercado e fazer networking”.

Silvana Torres/Divulgação

Silvana Torres

A fundadora da agência Mark Up não hesita em afirmar que as causas femininas se tornaram um dos propósitos de sua carreira ao longo dos anos. Após atuar durante 5 anos no segmento de engenharia, representado em sua maioria por profissionais do sexo masculino, e atualmente trabalhar em um meio miscigenado, Silvana Torres assegura que os ambientes são completamente distintos.

“Acredito que ganhei uma bagagem enorme do mind set masculino pois convivi, estudei, trabalhei com eles por 10 anos. Sou praticamente um PHD do pensamento masculino: forma de decidir, fazer piada, fazer amizade, sofrer… e acreditem, eles são muito diferentes mesmo das mulheres. Não acho que é certo ou errado, não acho que é melhor ou pior… é só imensamente diferente”, conta. “Ao contrário do mundo masculino onde o foco, a assertividade e o racional são afiados, descobri que fazer gestão de mulheres é outro mundo: mulheres falam de vida pessoal, de sentimentos, são multitarefas, se emocionam, choram… tudo uma grande descoberta para mim”.

Engajada, a executiva se tornou um símbolo de empreendedorismo feminino e participa de comitês e programas de liderança para mulheres. “Tenho um super orgulho de ter 2 sócias mulheres, Katia Braga e Aparecida Duda na Mark Up, 50 % do quadro é feminino e 82% da minha liderança é feminina. Somos por quatro vezes seguidas eleitos pelo Great Place to Work e o empoderamento feminino passou a ser uma bandeira na minha trajetória. Fundei o comitê Women Empowerment, da Ampro, participei do Programa Winning Women da EY, e hoje Conselheiro do Comite Relações Humanas, da Ampro”.

Marli Martini/Divulgação

Marli Martini

A artista plástica enxergou na cenografia de eventos uma oportunidade de expandir sua criatividade para outros ramos. No mercado desde 1999, a diretora da P&G Cenografia possui um currículo invejável de eventos em sua carreira.  “Meu primeiro evento já no time P&G foi o Grande Prêmio do Brasil de F1, onde cuidava de toda produção da Cenografia para atender Pista, Áreas Vips, Pódio e uma infinidade de outras áreas que montávamos, hoje já estou no meu 19º GP e parece que foi ontem…depois disso vieram muitos outros eventos , como a Disney Casas Bahia, U2, Copa das Confederações, Tim Festival, Natal na Paulista, Árvore de Natal do Ibirapuera, Coca Cola Vibezone, Olimpíadas 2016 (Aros Olímpicos em São Paulo) , Bola da Vez (ESPN) e muitos outros”.

Em seu trabalho, a diretora acredita que características mais expressivas em mulheres ajudam a fazer a diferença. “Ser mulher facilita a gestão de pessoas, somos mais detalhistas e com isso mais exigentes, foi uma questão de adaptação apenas, hoje meu time já sabe que aquilo que não está bom para nós, não pode estar bom para o cliente, e, portanto, temos que conquistar a excelência, o cliente é a estrela, simples assim”.

Fernanda Abujamra/Divulgação

Fernanda Abujamra

Outra artista que se tornou executiva foi a diretora artística do Banco de Eventos. Com raízes no teatro, Fernanda Abujamra já atuou e produziu, mas a curiosidade de poder imaginar e criar soluções para atender demandas no mundo corporativo falou mais alto.  “Minha entrada no corporativo se deu por acaso, mas o bichinho do poder fazer o que você imaginasse para atender aos objetivos de determinado cliente, e ao mesmo tempo, trabalhar com tantos assuntos diferentes, me pegou”, relembra. “Na época fizemos história, pois criamos aqui no Banco de Eventos, uma linguagem que não existia. Trouxe toda a bagagem tinha de teatro para aplicar nos projetos. E deu muito certo”.

Segundo a Fernanda, o mercado está em transição e o segmento de eventos especificamente, dá maior abertura para o crescimento de profissionais do sexo feminino. “Acredito que todo mercado tem potencial de desenvolver lideranças femininas, basta estar aberto e disposto a isso. No mercado de eventos acredito que temos um pouco mais de espaço para lideranças femininas, muito por conta das habilidades de atendimento e pela, já comentada, sensibilidade feminina em entender necessidades e criar soluções de forma mais facilitada. Ainda não estamos no patamar ideal, mas estamos caminhando para isso”.

Tatyane Luncah

Tatyane Luncah

Para a fundadora do Grupo Projeto, a maior barreira em sua trajetória profissional foi a idade. Tatyane Luncah entrou para o mundo dos eventos corporativos cedo, pois sentia prazer em se sentir útil para as pessoas. “Aos 21 anos abri a Grupo Projeto, uma agência focada em organização de eventos corporativos. O meu maior desafio era em relação a idade, usava somente roupas sociais para parecer mais velha, entretanto, nos primeiros três minutos de conversa já conseguia passar a confiança desejada para ser a agência selecionada para o job”.

A fundadora do Grupo Projeto acredita que muitos estigmas e cobranças a respeito da capacidade de uma liderança feminina atrasa o desenvolvimento profissional. “Nós mulheres trazemos muitas crenças limitantes que nos impedem de crescer na mesma velocidade que os homens, muitas ficam divididas entre as multifunções, porém, tudo é possível”, afirma.

“Devemos ter planejamento de vida assim como fazemos no nosso trabalho e tirar esse peso da responsabilidade das nossas costas. Tudo dá certo, dá para balançar todos os pratinhos com maestria e sermos suficientes em todas as funções. Temos que parar de nos cobrar demais, levar a vida mais leve e com doçura, que nos permite ser ainda mais felizes”.

Maria Amélia Abdalla

Maria Amélia Abdalla

Há mais de 27 anos na área, a gerente de negócios da Francal Feiras, mesmo após esses anos ainda afirma que o mercado testa as habilidades profissionais constantemente. “Considero este segmento muito dinâmico e desafiador o tempo todo”. 

Para a executiva que atuou em projetos da UNESCO fora do país e reformulou o modelo de negócios da Expomusic, o apoio mútuo entre mulheres é uma peça-chave para um mercado mais igualitário. “Acredito que as próprias mulheres nos cargos de destaque, mesmo com poucas representantes, podem ser um elo poderoso entre posições de liderança e novos talentos”, diz. “A sororidade, este termo que agora está na moda, nunca foi tão necessária. É preciso ter empatia com novos talentos femininos e nossos pares. Assim podemos vencer os preconceitos diários e até mesmo aqueles que nós mesmas (por influência da cultura machista brasileira) acabamos tendo umas com as outras”.

Elas na gestão de pessoas

Resiliência, empatia, flexibilidade e sensibilidade. Características atribuídas ao comportamento feminino são essenciais no setor de recursos humanos. Segundo a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional), as mulheres representam 66% dos cargos no departamento.

Alinne Rosa/Divulgação

Alinne Rosa

Engajada na humanização do mundo corporativo, a diretora de RH da Reed Exhibitions Alcântara Machado descobriu seu amor pelo setor logo no início de carreira. “No primeiro ano de formação, iniciei como estagiária em uma consultoria de RH e descobri minha paixão por esta área! De lá para cá, foram 20 anos e desafios dos mais diversos”, relembra. “Acredito que o principal deles está em alinhar propósitos de pessoas e empresas, aprender a construir uma relação ganha-ganha, em que a empresa se beneficia da performance e resultados gerados pelos colaboradores, enquanto as pessoas aprendem, se desenvolvem, crescem, conquistam seus sonhos pessoais”.

Otimista, a profissional acredita que é uma questão de tempo até as mulheres empatarem esse placar. “Tenho convicção que a cada década estaremos olhando para números mais equilibrados. Precisamos entender que a mulher veio para o mercado de trabalho mais tarde e vem conquistando rapidamente seu espaço. As configurações familiares estão se transformando também e isso, sem dúvida, ajuda na ascensão da mulher no trabalho”.

Com uma carreira consolidada, Alinne assegura que planejamento de vida fez toda a diferença para obter êxito em sua profissão. “Eu particularmente consegui seguir crescendo porque sempre tive um marido muito parceiro e planejei bem a minha saída para maternidade, num momento profissional em que eu estivesse com a carreira consolidada em uma empresa e com um time pronto para tocar o dia a dia sem precisar de mim por quatro meses”.

Leyla Nascimento/Divulgação

Leyla Nascimento

Presidente da World Federation of People Management Association, a profissional atua na área há 30 anos em programas de desenvolvimento de recursos humanos passando pelos segmentos de educação, trabalho e jovens talentos. Fundadora e CEO do Grupo Capacitare, consultoria especializada em Programas de Estágio e Trainees, ela afirma que teve que trabalhar duro para alcançar seus objetivos.

“Eu me lembro bem de quando comecei a atuar no mundo corporativo. Muitas vezes, via meus pares com “dedos” para falar comigo pelo fato de eu ser mulher. Tive que trabalhar dobrado para provar o meu valor. Acredito que isso mudou, e muito, nos dias de hoje; ainda assim, há muito o que fazer para que o ambiente de trabalho seja mais igualitário”.

Leyla acredita que a mudança na cultura empresarial precisa ser genuína para o mercado alcançar um futuro diferente. “Tudo se inicia de dentro para fora. A cultura da empresa tem que ser a mesma dos colaboradores com o intuito de unificar valores, causas e filosofia. E aí entra o papel do Recursos Humanos de orientar para que todos sejam bem recebidos independente de etnia, gênero, opção sexual ou idade. Com isso, é possível evitar segregação e exclusão dessas mulheres que estão chegando a um cargo de chefia”.

“É preciso criar ambientes propícios, não adianta a empresa ter no discurso a defesa das mulheres se, na prática, não há nenhuma em cargo de liderança. Temos que incentivar talentos, fazer com que nossas meninas alcancem voos cada vez maiores, nutrir sonhos e não os podar. Não podemos colocar as meninas, que serão as mulheres do futuro, em caixinhas pré-determinadas com discursos de “isso é trabalho para homem ou mulher”, conclui.

Elas como fonte de inspiração

Com tantos números e fatores desanimadores para as profissionais, exemplos que sirvam de inspiração fazem toda a diferença no engajamento de colaboradoras. Investir em programas de empreendedorismo feminino é uma das formas de incentivar novas estratégias de carreira e construir líderes para o futuro.

Uma mulher ocupando um cargo de liderança inspira e encoraja outras profissionais a almejarem posições de alta gerência e direção. Nos segmentos de eventos e recursos humanos, executivas de sucesso alcançaram cadeiras expressivas em suas empresas e outras aspiram o cargo mais alto nas corporações.

Em 2018, o empreendedorismo ganhou destaque, já que o número de mulheres envolvidas com negócios com até três anos e meio de atuação no mercado atingiu a marca de 15,4% enquanto a participação masculina somou 12,6%, segundo um estudo do Global Entrepreneurship Monitor 2016, realizado nacionalmente pelo Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ).

Dilma Souza Campos/Divulgação

Dilma Souza Campos

De bailarina à CEO da própria empresa, a boutique de soluções em live marketing Outra Praia, Dilma Souza Campos é também a presidente do Comitê de Relações Humanas da Ampro, originalmente denominado Comitê Women Empowerment.

“Iniciei minha carreira como bailarina e desde então acredito que passei por muitos desafios. De bailarina a assistente de diretor artístico, de assistente de diretor artístico para diretor artístico de eventos. Na carreira, meu crescimento foi para diretora de produção e a partir daí fui passando para diretora de planejamento chegando a CEO da minha empresa”.

Segundo Dilma, programas de empreendedorismo feminino são alavancas para engajar novas profissionais a buscarem cargos mais altos. “Já temos no mercado alguns programas que procuram desenvolver a liderança feminina. Winning Women da E&Y, Women Will do Google, RME – Rede Mulher Empreendedora, são alguns deles. Muitas empresas entenderam que ter igualdade de gêneros nos cargos de liderança aumenta seu lucro. Certamente o mundo capitalista vai se encarregar de realizar essa igualdade num futuro bem próximo”.

Neivia Justa/Divulgação

Neivia Justa

Inspirar é a palavra de ordem da palestrante, jornalista, comunicadora e criadora do movimento #ondeestãoasmulheres. Dona de uma carreira brilhante com passagem por importantes empresas como Schincariol, GE e Goodyear, Neivia Justa é também uma militante ativa pela conquista de espaço das mulheres no mundo corporativo.

Ganhadora do Troféu Mulher Imprensa (na categoria Assessora de Comunicação Corporativa) e o Prêmio Aberje (profissional do ano), a profissional enxerga ainda uma grande segregação no universo empresarial. “O ambiente corporativo ainda é, até hoje, feito por homens para homens. Ou seja, extremamente hostil às mulheres. Quando eu comecei a trabalhar aqui em São Paulo, há 25 anos, não havia mulheres em posição de liderança nem espaço para discutir qualquer assunto relacionado à igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres no trabalho”.

“Desde que me dei conta desses números, entendi que preciso ser agente de mudança dessa realidade. Desde 2015, tenho estudado e me aprofundado nas questões históricas e socioculturais que nos trouxeram até aqui e faço todas as minhas escolhas pessoais e profissionais baseadas na capacidade que terei de ajudar a transformar nosso mundo num lugar melhor, mais justo, igualitário e inclusivo para a geração das minhas duas filhas adolescentes”.  

Engajar mulheres a ocuparem mais espaço no mercado de trabalho, independente da esfera atuante é um dos propósitos do movimento criado por ela. A hashtag ajudou a dar maior visibilidade ao empreendedorismo na internet. “Criei o movimento #ondeestãoasmulheres, que fomenta o debate nas redes sociais sobre a falta de representatividade feminina em todas as esferas da sociedade brasileira, assim como o #aquiestãoasmulheres, que se propõe a dar visibilidade ao protagonismo feminino, onde quer que ele aconteça”.

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