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Coronavírus está afetando o mercado corporativo?

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No momento, o Coronavírus atinge viagens de negócios exclusivamente na China, foco inicial do surto

A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou no dia 30 de janeiro que a epidemia de Coronavírus (2019-nCoV) estabelece uma ESPII (Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional). A organização define oficialmente esse estado de emergência como um “evento extraordinário que constitui um risco à saúde pública para outros Estados por meio da disseminação internacional de doenças e potencialmente exige uma resposta internacional coordenada”.

Porém, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, diz que não há razão para medidas que interfiram desnecessariamente em viagens e comércio internacional. “A OMS não recomenda limitar o comércio e o movimento”, afirmou. “A principal razão (para a declaração de estado de emergência) não é o que está acontecendo na China, mas o que está acontecendo em outros países”, confessou Ghebreyesus. “Nossa maior preocupação é com o potencial de o vírus atingir países com sistemas de saúde mais frágeis”.

A recomendação da OMS é de que autoridades de saúde do mundo todo aumentem seu monitoramento da doença e fiquem de prontidão para eventual adoção de medidas de contenção. “Todos os países devem se preparar para a contenção, incluindo a vigilância ativa, a detecção precoce, o isolamento e o gerenciamento de casos, o rastreamento de contatos e a prevenção do avanço do vírus e compartilhar todos os dados com a OMS”, diz comunicado da OMS.

Neste mesmo comunicado, um comitê de especialistas afirmou que, em geral, “as evidências mostram que restringir o movimento de pessoas e bens durante emergências de saúde pública pode ser ineficiente e sugar recursos de outras intervenções. Além disso, essas restrições podem interromper (a chegada de) ajuda e apoio técnico, pode prejudicar negócios e ter efeito negativo nas economias dos países afetados por emergências”.

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China

No momento, o Coronavírus atinge viagens de negócios exclusivamente na China, foco inicial do surto. Porém o país é um dos maiores mercados de viagens de negócios do mundo, e, devido à epidemia, está ficando cada vez mais isolado, pois empresas de grande porte estão restringindo, cancelando ou adiando viagens ao país, principalmente na cidade de Wuhan, epicentro do surto, até segundo aviso.

Desde o surgimento da doença em dezembro de 2019, Wuhan passou a ser alvo de medidas cada vez mais restritivas para tentar conter o avanço do Coronavírus. Colégios fechados, ônibus e metrôs parados. Em 23 de janeiro, a cidade foi submetida a uma quarentena total. Ninguém sai, ninguém entra.

Nesse ínterim, viajantes a negócios que retornaram aos seus países de origem da China passaram e estão passando por uma triagem adicional na imigração, assim como medidas temporárias de quarentena, quando for detectada febre.

No total, existem até o momento 24.324 casos confirmados na China. Ao todo, 490 pessoas perderam a vida com esse surto. O número total de pessoas infectadas fora da China continental já chega a 226. Segundo autoridades de saúde na China, os casos confirmados incluem 33 no Japão, 25 na Tailândia, 24 em Singapura, 18 em Hong Kong, 18 na Coreia do Sul, 13 na Austrália, 12 na Alemanha, 11 nos Estados Unidos e 11 em Taiwan. O número total de pessoas infectadas fora da China continental já chega a 226. Os casos confirmados incluem 33 no Japão, 25 na Tailândia, 24 em Singapura, 18 em Hong Kong, 18 na Coreia do Sul, 13 na Austrália, 12 na Alemanha, 11 nos Estados Unidos e 11 em Taiwan. Não tem nenhum caso confirmado no Brasil.

Viagens corporativas para o território chinês
Independente das políticas corporativas e das restrições de reservas on-line, é fato que as viagens corporativas à China poderão não ser possíveis para a maioria das empresas, pelo menos neste momento. Evitar grandes reuniões de pessoas é um protocolo básico para reduzir a propagação de doenças em qualquer parte do mundo.

Algumas companhias aéreas estão restringindo a entrada no continente. A Lufthansa, por exemplo, suspendeu todos os voos para o país até dia 9 de fevereiro, podendo ser prorrogado caso o surto não tenha sido contido. A American Airlines suspendeu voos de Los Angeles para Pequim e Xangai até 27 de março. A Cathay Pacific reduzirá progressivamente seu acesso à China em 50% até o final de março.

Ao mesmo tempo, empresas hoteleiras reduziram as multas por cancelamento na região e para cidadãos chineses que estão sob proibição de viagens em grupo, implementado pelo governo. Companhias aéreas e parceiros de hotéis também se uniram para reduzir as multas por cancelamento.

Relatórios preliminares do provedor de hospedagem STR revelam um declínio de 75% na ocupação hoteleira na China continental de 14 a 20 de janeiro, durante o período do Ano Novo Chinês, tradicionalmente cheio devido a grandes celebrações. Quanto às viagens de saída da China, é provável que os Estados Unidos experimentem uma queda de 28% nas visitas para 2020, segundo projeções da Tourism Economics, parceira da STR, equivalente a uma perda de 4,6 milhões de noites em quartos de hotel e US $ 5,8 bilhões em gastos com visitantes.

Pesquisa revela preocupação no setor de viagens corporativas
As preocupações com a disseminação do Coronavírus e seus efeitos nas viagens de negócios são generalizadas entre os gerentes de viagens, de acordo com a Associação Global de Viagens de Negócios. Pesquisa realizada pela associação revela que 80% dos quase 250 entrevistados disseram que é provável que seus viajantes mudem seus planos para evitar voar e viajar, enquanto apenas 1% disseram que não é provável que seus viajantes evitem viajar. Quase 90% dos participantes da pesquisa têm funcionários que viajam para a China e outros destinos internacionais.

Segundo o levantamento, as apreensões crescentes com a disseminação da epidemia chegaram ao topo da maioria das organizações, com oito em cada 10 gerentes de viagens relatando que seus líderes executivos e seniores estão muito preocupados (40%) ou um pouco preocupados (40%) com o vírus e seu impacto nas viagens de negócios e na segurança dos funcionários.

Enquanto isso, quase nove em cada 10 gerentes de viagens (89%) estão pessoalmente preocupados com o vírus, e 40% dizem estar “muito preocupados”. Setenta por cento dos gerentes de viagens disseram que seus funcionários expressaram muita (27%) ou alguma preocupação (42%) com a propagação do vírus. Metade dos viajantes manifestou preocupação com os exames de saúde nos aeroportos e com os atrasos e aborrecimentos relacionados.

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